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segunda-feira, 15 de julho de 2013



Na madrugada deste domingo (14), um crime cercado de mistérios assustou quem trafegava pela avenida Almirante Barroso, em Belém, capital do Pará. Um moradorde rua que dormia na calçada, em frente ao Instituto Federal do Pará, foi morto com várias facadas por um estudante de Medicina que caminhava pelo local. Segundo a polícia, Antonio Cardoso Valadares Junior, 18 anos, seguia a pé, sozinho pela rua, usando uma luva cirúrgica e um canivete dizendo que precisava fazer uma pesquisa para a faculdade. “Nós seguíamos em ronda pela área quando, de repente, nos deparamos com a cena. Um rapaz assustado, usando uma luva, segurando um canivete, e ao lado dele o corpo de um homem todo ensanguentado no chão”, revelou o cabo L. Santana, do 1º Batalhão da Polícia Militar.



Assim que percebeu a viatura se aproximando do local, o jovem entregou a arma para os policiais e confessou o crime. De acordo com a PM, o estudante disse que matou a vítima para fazer uma pesquisa acadêmica e com muita frieza teria dito que não estava arrependido. “Foi muito estranha a reação dele quando viu a nossa viatura. Na maior tranquilidade do mundo, ele se aproximou da gente, disse detalhes do que tinha feito e falou que não tinha nenhum problema em ser preso, pois já tinha feito sua pesquisa”, relatou o policial, que chegou ao local minutos depois do crime.


A vítima não foi identificada. Segundo a polícia, o homem, de aproximadamente 25 anos, seria morador de rua e costumava perambular próximo do estádio do Baenão. Com ele, foi encontrado apenas um cachimbo artesanal usado para fumar crack, uma caixa de fósforos e uma carteira de cigarros. “O que mais intriga a polícia nesse caso é a circunstância do crime. Por um lado, parece que o assassino confesso agiu de forma premeditada, pois inclusive ele estava com uma luva cirúrgica no momento que esfaqueou a vítima. Mas, por outro lado, parece que esse homicídio foi causado devido a um surto do tal estudante, algo de momento. E é isso que precisa ser investigado pela polícia”, afirmou o delegado Eduardo Rollo, da Divisão de Homicídios de Belém.


Após o flagrante, o estudante foi encaminhado à Seccional Urbana de São Brás. Na unidade policial, o jovem apresentou duas versões sobre o crime. Primeiro disse que só matou a vítima porque se sentiu ameaçado por ela. “Eu não queria matar aquele homem, mas eu fui obrigado a fazer isso, porque ele queria me assaltar. Eu estava tranquilo na parada, esperando o ônibus, quando ele levantou da calçada e anunciou o assalto. Foi nesse momento que eu abri a mochila, peguei um canivete e parti para cima dele”, revelou Antônio Junior.


Em seguida, o estudante voltou atrás e relatou a mesma versão apresentada aos policiais militares. Demonstrando muita frieza, o rapaz disse que teria brigado com os pais na noite do sábado e por isso resolveu sair da casa deles, que fica no bairro do Guamá, para “esfriar a cabeça, aproveitar e fazer uma pesquisa de campo”, justificou. “A ideia era fazer uma pesquisa sobre os moradores de rua, por isso saí de casa com as luvas cirúrgicas. Mas acabei me empolgando demais e matei o rapaz. A intenção não era essa. Mas o trabalho da faculdade foi feito assim mesmo”, afirmou.


O DIÁRIO entrou em contato com a assessoria de comunicação da Universidade Estadual do Pará (Uepa), onde o jovem disse que estudava. A instituição, por meio da assessoria, confirmou a informação e relatou que Antonio Cardoso Valadares Junior cursa o segundo ano de Medicina. Ninguém da direção da escola foi encontrado para falar sobre o comportamento do rapaz.


O estudante foi autuado em flagrante pelo crime e encaminhado para a Divisão de Homicídios, onde o caso deverá ser investigado.
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