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quarta-feira, 13 de março de 2013

A atividade foi parte da Jornada Nacional de Lutas contra as barragens, pelos rios, pela água e pela vida. Cerca de 100 pessoas organizadas no Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) participaram do Seminário Barragens no Tapajós: desenvolvimento para quê e para quem? realizado nesta segunda e terça-feira (11 e 12) na cidade de Itaituba, oeste do Pará.

Entre os participantes estavam moradores de comunidades ameaçadas, representantes dos pescadores, do movimento de mulheres e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais da cidade de Trairão, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Itaituba, da Comissão Pastoral da Terra, da Pastoral da Juventude, além de membros do povo indígena Munduruku.
Durante o Seminário, os participantes debateram as falsas promessas anunciadas em torno da possível construção de cinco barragens nos rios Tapajós e Jamanxim, incluindo as hidrelétricas de Jatobá e São Luiz do Tapajós, que poderão alagar uma superfície de terra superior a cidade de São Paulo. Na oportunidade, os presentes reafirmaram o compromisso com a preservação da natureza, a manutenção do modo de vida das populações ribeirinhas, o direito dos povos indígenas e o respeito aos seus locais sagrados que poderão desaparecer caso as obras sejam feitas.
“O MAB é contra a construção das hidrelétricas na bacia do rio Tapajós porque, além de causarem uma imensa destruição ambiental e um incalculável prejuízo para os povos indígenas, elas não estarão à serviço da população e sim para atender uma demanda das grandes empresas construtoras de barragens”, afirma Thiago Alves, membro da direção estadual do MAB. O mesmo ainda ressalta que “as hidrelétricas no Tapajós faz parte de um pacote de grandes empreendimentos, que incluem portos, hidrovias e, principalmente, o avanço da soja na região”.
Para José Odair Pereira Matos, presidente da comunidade ameaçada de Pimental e militante do MAB “é importante resistir as barragens porque é necessário preservar nossa história, o nosso modo de vida ribeirinho, a tranquilidade em que vivemos, enfim, tudo que estas obras vão destruir se forem feitas. É necessário fortalecer a organização e buscar um outro desenvolvimento”. Para Odair é também preciso contestar os estudos prévios que estão em andamento “que ignoram uma grande quantidade de pessoas que dependem do rio e da terra para sobreviver e que ficarão sem isso caso as barragens saiamm do papel”, afirma.
Manifestação diz NÃO as barragens no Tapajós: Como parte das atividades do Seminário, os participantes fizeram uma intervenção na seção ordinária da Câmara Municipal de Itaituba com o objetivo de divulgar o debate realizado. Depois de muita pressão contra a mesa diretora que queria dificultar o acesso dos manifestantes a tribuna, os militantes utilizaram o tempo conquistado para denunciar a violação de direitos por parte das empresas que querem fazer as barragens, falar em defesa das comunidades tradicionais e dos povos indígenas e reafirmar que é preciso exercer o direito de dizer NÃO às barragens e lutar por outro modelo de desenvolvimento sem hidrelétricas.


Entre os muitos que falaram na tribuna esteve Juarez Saw, cacique da Aldeia Sawre Muy Bu, que falou em nome do povo Munduruku afirmando que “do alto ao baixo Tapajós seu povo diz não a construção de barragens e que estão dispostos a entrar em guerra para defender nosso território”. Para ele é preciso também fortalecer a parceria com outras entidades “para a resistência ficar mais forte”.


Para Cleidiane Santos, da coordenação nacional do MAB, este foi um importante momento de mobilização e luta contra estes grandes projetos na região. “Queremos reunir a população do campo e da cidade em toda a região para fazer a resistência e construir coletivamente uma alternativa a este desenvolvimento que vem com muitas promessas e no final deixa apenas um rastro de destruição e de riqueza para poucos. Hoje foi apenas mais um passo na luta do povo que crescerá a cada dia”, afirmou.


Fotos: Junior Ribeiro...
Texto: Extraído do Blog: http://andrepaxiuba.blogspot.com.br/
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