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terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Por Jota Ninos (*) 
Extraído do blog do Jeso

“O prefeito Alexandre Von sancionou nesta quarta-feira (11), a Lei nº 19.399/2013, de 11/12/2013 que institui o Dia Municipal da Luta pela Emancipação Política da Região Oeste do Pará, comemorado no dia 11 de dezembro, data da realização do plebiscito, realizado há dois anos. A lei, aprovada na última terça-feira (10/12) na Câmara Municipal, torna ponto facultativo nas repartições públicas municipais, o dia 11 de dezembro”.
O lacônico texto distribuído semana passada pela assessoria de comunicação da Prefeitura de Santarém guarda nas entrelinhas muito mais que uma singela comemoração de um ato heroico que representou a população da região oeste do Pará, há dois anos.
O ato é apenas o início de uma nova saga pelo poder, do futuro Estado cuja luta foi assumida por Lira Maia desde sua primeira eleição para a Câmara Federal (2006), no vácuo de outras lideranças regionais.
Os novos donos do Tapajós: Reginaldo, Edvaldo, Lira Maia e Alexandre Von
Em papéis secundários, o próprio Alexandre Von, o dublê de político e pastor, vereador Reginaldo Campos e seu apaniguado Edivaldo Bernardes, que atualmente acumula a coordenação do ICPET – Instituto Cidadania Pró-Estado do Tapajós e da pomposa Coordenadoria Municipal pela Criação do Estado do Tapajós, criada por Von, este ano, com status de secretaria.
O sonho de emancipação desta região seguiu o mesmo diapasão dos desmembramentos ocorridos na velha Província do Pará e Maranhão, dentro do processo iniciado ainda no Brasil-Império. Mas depois da criação da Província do Amazonas, a criação da Província do Baixo-Amazonas com sede em Santarém acabou sendo protelada pelo imperador, até chegarmos ao plebiscito.

E lá se vão mais de 150 anos de sonhos que provavelmente se tornarão realidade nas próximas décadas. Não tenho dúvidas de que isso um dia ocorrerá. Seja pela mobilização popular, seja pelas articulações políticas ou, seja pela necessidade imperiosa de se rediscutir o pacto federativo brasileiro há muito defasado.
A afirmação que faço no título acima reflete um pouco do que vi nos bastidores da campanha do plebiscito de 2011, onde tentei colaborar com as ações de comunicação e marketing. Nas próximas linhas tentarei expor algumas ideias em cima do que vi e ouvi, para chegar à conclusão do título acima.
Como já disse em outro artigo neste blog, minha análise (como tantas outras) tem muito de subjetivo e está sempre aberta a novas contribuições, e repito ainda: NÃO SOU DONO DA VERDADE, apenas tento ser amigo dela o quanto possível… Sei que muito “arautos da verdade” me farão acusações, pois o tema é complexo e mexe com muitas emoções. Mas como sempre, responderei a todos que contribuírem com o debate. Os mesmo anônimos de sempre, terão direito ao famoso Jus Sperneandis…
Aviso também que sou deveras prolixo, por isso SALVE O TEXTO PARA LER COM CALMA DEPOIS, SEM O RISCO DE VER A CONEXÃO CAIR, OU PERDER O EMPREGO POR FIXAR A VISTA NO COMPUTADOR OU AINDA DEIXAR O FEIJÃO QUEIMAR NA PANELA…. (rs)

Tapajós: a tentativa de golpe
Antes do ICPET, existiu o Comitê do Novo Estado por mais de 10 anos e foi liderado, até junho de 2011, pelo professor Edivaldo Bernardo que mostrava ser um idealista suprapartidário apesar de ter ligações bem próximas com o Tucanato local (se não me falha a memória, foi até filiado do PSDB anos antes, quando assumiu a 5ª URE) que sempre buscou liderar o movimento emancipacionista, desde o primeiro Comitê Pró-Tapajós, comandado pelo falecido advogado tucano recém-falecido, Tito Viana.
O CNE foi um dos mais produtivos grupos que encabeçou o movimento desde a década de 1990, após a emenda do Estado do Tapajós ser derrubada nas disposições transitórias da Constituinte. Seríamos Estado desde 1988 junto com Tocantins se a elite de Belém, liderada por Barbalhos e tucanos, não falassem mais alto no Congresso e acabasse nos derrotando.
Mas no momento em que o plebiscito foi aprovado, começou a briga de bastidores para tirar de cena Edivaldo e deixar os políticos de mandato no comando. O deputado federal Lira Maia (DEM), seu pupilo deputado estadual Alexandre Von (PSDB) juntamente com seu grupo de vereadores, se articularam com alguns empresários e convocaram uma reunião em que pretendiam criar uma nova instituição para comandar o movimento, mas sem a liderança de Edivaldo.
Entretanto, alguém avisou o professor e ele chegou a tempo de bater na mesa e ameaçar ir à imprensa denunciar aqueles que planejavam tirá-lo do comando do movimento, depois de anos de luta, sem nunca ter-lhe sido dado muito apoio logístico.
Pessoas que participaram dessa reunião me disseram que a postura de Edvaldo criou constrangimento nos demais, e a ideia acabou abortada. Nascia, a fórceps, o ICPET, sendo entronizado (meio que a contragosto) como seu coordenador o próprio Edivaldo Bernardo. Pelo bem do movimento, a tentativa de golpe de Maia foi jogada para debaixo do tapete (de longe, quem ria com tudo isso era o “canastrão” Reginaldo Campos, que se prepara há muito tempo para ser, no futuro, um Lira Maia piorado, como já disse aqui mesmo em outra oportunidade: (http://goo.gl/dKCqj4).
Quando soube disso conversei com Edivaldo em uma das várias reuniões que tínhamos em sua sala no ICPET, quando questionava algumas ações do movimento e ele me confirmou o ocorrido, mas pediu que esquecêssemos isso. Que tudo estava sanado, e que o bem maior era o Estado do Tapajós. Eu sentia certa falta de malícia no professor e sempre tentava alertá-lo para outras ações que acabariam tendo o mesmo destino.
Discutia longamente, também, com o amigo jornalista e grande entusiasta do movimento, Ednaldo Rodrigues (que sempre teve uma grande confiança em Bernardo) afirmando que éramos pequenos peões naquele tabuleiro e na reta final seríamos varridos do verdadeiro campo de batalha. Mas a dupla Ednaldo e Edivaldo nunca embarcaram na minha “teoria da conspiração”. Acreditaram até o fim de que seriam ouvidos em tudo…
Tapajós: o marketing sem história
Em maio de 2011, logo após o anúncio de que o projeto de realização de dois plebiscitos no Pará havia sido aprovado na Câmara Federal, fui “convocado” pelo empresário Olavo das Neves junto com outros profissionais da comunicação, para organizarmos estratégias de comunicação para aquela batalha que aconteceria no final do ano.
Olavo falava em nome do ICPET, com o sempre ativo presidente da ACES – Associação Comercial e Empresarial de Santarém, Alberto Oliveira. Os dois foram os principais arrecadadores de verba para custeio do movimento. Na reunião com jornalistas e publicitários houve discursos efusivos sobre a importância de nossa participação, principalmente do coordenador do ICPET, Edivaldo Bernardo (http://goo.gl/jVfLge) e se mostrava empolgado com o sucesso da empreitada. Mas nem um dos três sonhava com o que viria pela frente…
Contribuí por vários meses dando apoio às ações de implantação do que seria um dos braços do enorme e burocrático organograma criado para o ICPET. A Coordenação de Comunicação e Marketing (CCM) traçou vários planos, mas muito pouco foi aproveitado. Estávamos lá eu, Jorge “Gordo” Cohen, Emanuel Júlio, Ormano Sousa e Jonas Meneses, todos com alguma experiência em campanhas eleitorais passadas, além do historiador e expert em comunicação digital Paulo Lima. Outros colegas jornalistas em início de carreira se juntaram ao grupo e achávamos que poderíamos trabalhar uma mensagem condizente com nossa história.
O CCM fez algumas peças iniciais para criar uma identidade ao movimento. Como era de se esperar surgiram críticas ao trabalho. Mas fazíamos o que podíamos, sem ter qualquer condição logística para atuar. Na verdade, havia um grande descompasso no início do movimento. Muitos interesses e uma articulação nem tanto azeitada.
A comunicação não tinha autonomia para criação, a ponto de após terem sido aprovadas as peças pela coordenação, outras reuniões serem realizadas, sempre com pessoas diferentes, e que davam “pitacos” sobre a mudança de uma vírgula ou sobre cores de fundo, enfim, virava o samba do crioulo doido, como diria o comediante Stanislaw Ponte Preta… Aos trancos e barrancos lançamos as primeiras peças impressas, mesmo sabendo de rumores que Duda vinha coordenar a campanha.
Lembro como hoje que eu e o grupo fomos conversar com a coordenação sobre esses rumores, e eles garantiram que se Duda viesse, apenas somaria, e nós seríamos ouvidos.
E nós chegamos a acreditar nisso, até vermos Duda Mendonça ser recebido como um Deus na Câmara Municipal para assumir uma campanha conjunta dos estados do Tapajós e Carajás… Eu e o “Gordo” olhávamos de longe a adoração ao novo Messias e decretamos: “Agora f…”.
Vislumbramos que a campanha perderia o enfoque histórico regional e se tornaria (como se tornou) um belo produto audiovisual com a grife de DM, mas sem o compromisso regional. Não que pudéssemos mudar os rumos da derrota, mas sem ouvir os comunicadores “nativos” Duda ligou o piloto-automático e acabou perdendo a mão na campanha.
Ou melhor, seguiu o script previsto que era ancorar o projeto Carajás à maior “credibilidade” de um projeto mais antigo de autonomia, o Tapajós. Em suma, eles tinham o poder financeiro, e nós tínhamos a tradição histórica, mas éramos o primo pobre…
Tapajós: os acordos de bastidores
Assim, pudemos testemunhar nos bastidores daquela campanha (na qual pudemos influir muito pouco) outro movimento que ocorria para consolidar a luta pelo poder do Estado que nem havia saído do papel. Lira Maia era (e é) sem dúvida o político que vinha se preparando há muitos anos para assumir essa liderança (como assumiu), em função da incompetência dos outros políticos. O PT e Maria do Carmo, a então prefeita, acabaram entrando na campanha para tentar diminuir a sanha de Maia.
Maria em seu governo, foi reconhecida pelos líderes do movimento emancipacionista como o que mais ajudou na infraestrutura do Comitê do Novo Estado, criando inclusive uma Coordenadoria de Articulação Regional, entregue ao vereador mais ativo do movimento, Reginaldo Campos (PSB), que indicou o líder comunitário Chicão Lopes (hoje seu desafeto).
Mas apesar disso, os petistas não tinham uma desenvoltura nos bastidores como Maia e seu pessoal. O pior de tudo é que não conseguiram eleger para deputado federal Carlos Martins, que deveria atuar como pedra no sapato de Maia (o que eu não acredito).
Agora, com seu principal aliado na Prefeitura, Maia dá os passos definitivos para se consolidar como o “Siqueira Campos Tapajoara” (Siqueira Campos foi o político que comandou a criação do Tocantins e virou o coronelzão do novo estado, até hoje!). E pelo seu perfil populista e demagogo, sem respeitar a coisa pública, podemos antever que estado teremos inicialmente…
Desde a campanha do plebiscito, Maia demonstra estar convicto de que era possível criar o Tapajós através de acordos por baixo dos panos. Nas reuniões ele chegava a dizer que mantinha acordos de cavalheiros com os coordenadores das Frentes Não Tapajós (deputado Celso Sabino) e Não Carajás (deputado Zenaldo Coutinho, hoje prefeito de Belém), no que se referia a processos jurídico-eleitorais.
Mas com o passar da campanha, o poder da Frente Pró-Carajás (deputado João Salame, hoje prefeito de Marabá) cresceu e Maia se apequenou, inclusive parecia até dopado em um dos últimos debates de TV, deixando Salame se tornar um líder mais convicto de seu papel.
Carajás endureceu o jogo e resolveu ir pra cima de Jatene. Este foi o momento mais tenso da campanha. As peças de Duda Mendonça passaram a ter como alvo Jatene. Maia e Alexandre não concordavam com isso. O PT apoiou a proposta de Carajás e os empresários de Santarém que lideravam o movimento engrossaram o coro.
A campanha agressiva contra Jatene foi liberada, mas era o último cartucho, e que acirrou ainda mais o chumbo que veio dos marqueteiros de Belém, liderados por Orly Bezerra, o papa da comunicação tucana.
Se havia alguma esperança de termos a simpatia de parte do eleitorado de Belém – já que as pesquisas internas demonstravam que a maior rejeição do belenense era contra o Estado do Carajás – ela caiu diante dos ataques virulentos da campanha Não e Não, com direito a choro midiático da Fafá de Belém.
Era impossível fazer um esclarecimento na campanha sobre a diferença entre as duas histórias de emancipação. Como eram dois plebiscitos, havia quem acreditasse em Santarém que podíamos brigar inclusive na Justiça Eleitoral para impedir o slogan Não e Não, mas o tal do acordo de cavalheiros citado por Maia impedia que essa hipótese fosse considerada.
Tapajós: PLIP e novos parceiros
Passado o plebiscito, Maia tratou de se afastar de Salame. Enquanto o Carajás tentava uma nova roda de conversações para se discutir um novo processo de votação na Câmara, Maia já trabalhava com um novo horizonte pós-eleição de Von.
A criação da Coordenadoria no governo municipal dominados por demos e tucanos (mas com um pupilo do PSB de Reginaldo Campos que abandonou o barco petista na undécima hora), demonstra no mínimo que isso foi acordado com Simão Jatene, o principal apoiador de Alexandre para a Prefeitura. E isso é muito estranho.
Mais estranho ainda é a insistência de Edivaldo Bernardo de dirigir as duas entidades, uma vinculada ao governo e outra não-governamental, como já tenho me pronunciado por aqui, alertando sobre a contaminação partidária (http://goo.gl/wgNjRK).
Há quem tente desbancar Edivaldo, mas o poder da verba municipal é sedutor, pois agora até sede própria já está sendo bancada pelo município para o ICPET em um prédio de aliado político de Maia!
O novo movimento em torno do PLIP – Projeto de Lei de Iniciativa Popular, que busca angariar assinaturas para mudar as regras do plebiscito e definindo que a parte interessada é só a que quer se desmembrar (diferente do que decidiu o STF) e relançar no Congresso a tese de uma nova consulta popular nesses moldes, é o cavalo de batalha de Lira Maia e seus comandados.
O novo movimento deixa de fora Altamira, mantendo apenas os municípios que votaram a favor do Tapajós (o que diminui em muito aquele mapa, mas ainda está longe da configuração original do projeto que tramitou na Constituinte e foi defendido pelo ex-deputado Hilário Coimbra, antes de ser reordenado pelo senador Mozarildo Cavalcanti, em 2001).
Mantém-se acesa a chama do movimento de 2011, mas como tem sido praxe, o povo continua fora das discussões e é chamado apenas para assinar papéis.
A vantagem é que agora já participamos de uma campanha e estaremos prontos para uma nova batalha, pois sempre que somos chamado acreditamos que “além do horizonte deve ter algum lugar bonito para se viver em paz”, mesmo que seja ao comando de Lira Maia. As lideranças continuam a empurrar goela abaixo algo que as futuras gerações ainda nem sonham o que é.
Enquanto isso, Maia tenta ser eleito como vice-governador de Helder Barbalhinho ou de Jatene (ou quem for seu candidato), ou no mínimo ser candidato à única vaga do Senado para reforçar seu cacife como grande líder político regional. Para isso, convenceu o inconstante Nélio Aguiar a se aventurar a uma vaga na Câmara Federal, apostando na abertura de novas quatro vagas do Pará naquele Poder, definidas pelo TRE (o que acabou sendo rechaçado na semana passada pela Câmara Federal!).
E caso a nova consulta continue sendo em todo o estado, novos acordos surgirão? Haverá, enfim, a tentativa de isolar o Carajás em troca do voto dos belenenses pelo Tapajós? Se tudo isso realmente acontecer (e não for apenas uma teoria da conspiração) podemos nos preparar para saudar o futuro governador desse novo Estado: Lira Maia, primeiro e único, pois infelizmente temos que admitir que as lideranças consideradas mais progressistas não têm essa envergadura. Nem o PT, com sua Martilândia…
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