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quarta-feira, 29 de maio de 2013

No lugar das bonecas e das brincadeiras de crianças, uma menina de 12 anos vai dar lugar à maternidade. Grávida de seis meses, a jovem identificada com o nome fictício de Rosa teve relações sexuais com o primo, que também tem 12 anos. "Eles foram criados juntos. Sempre brincaram e jamais imaginávamos que isso pudesse acontecer. As mães do dois são viúvas, têm outros filhos e deixavam os dois com os mais velhos para trabalhar e sustentar a família. Nem acreditamos quando a gente soube do bebê", contou à reportagem do Bocão News a tia da criança, Luzimarina Chavier dos Santos, que está cuidando da sobrinha.

Segundo Luzimarina, Rosa é da cidade de Sátiro Dias, localizada à 205 km da capital baiana, onde vive com mais três irmãos e a mãe. "Ela começou a sentir dores, enjôo e a mãe me ligou pedindo ajuda", disse, informando que a maternidade de Sátiro está fechada e, por conta disso, a sobrinha está com ela em Porto de Sauípe - povoado de Entre Rios, que fica a pouco mais de uma hora de Salvador. "Lá em Sátiro não tinha condições de atendimento. Só tem o Hospital Geral da cidade e pra marcar consulta leva até um mês. Por isso pedi que ela viesse pra cá para termos atendimento", contou.


A partir daí, começa a batalha de Luzimaria para ajudar a sobrinha e que tem o apoio da patroa, uma secretária que mora em Salvador e trouxe o caso ao Bocão News. "Fiz uma denúncia no Disk 100 - Direitos Humanos, no dia 20 deste mês e dia 23 o Conselho Tutelar de Entre Rios - que atende à Porto de Sauípe, foi acionado. Fiquei impressionada com o descaso do setor público com um caso grave como este", afirmou Inês Santos Silva que, atualmente, busca resolver o problema da criança. "É um descaso total das secretarias de Saúde. Há uma semana eles [o Conselho e a secretária de Entre Rios] têm a denúcia e nada fizeram. A Promotoria e Prefeitura da cidade também já foram comunicados do caso de Rosa, que é grave. Ela e o bebê podem morrer", contou.


De acordo com Inês, uma única ultrassonagrafia foi feita há cerca de um mês após amigos conseguirem consulta em Alagoinhas, constatando o tempo de gestação e a gravidade da situação. "O médico que nos atendeu disse que o caso é delicado. A criança só está com 600g porque não há pele suficiente para o desenvolvimento do feto. Rosa tem 12 com corpo e rosto de 8 anos", relata.


Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que o número de adolescentes grávidas também está crescendo no país. Entre 2011 e 2012, o total de filhos gerados quando as mães tinham entre 15 e 19 anos quase dobrou: de 4.500 para 8.300. Ainda segundo o IBGE, nessa faixa de idade 18% das mulheres já engravidaram ao menos uma vez. Só no Brasil são cerca de 700 mil meninas sendo mães todos os anos e desse total pelo menos 2% tem entre 10 e 14 anos, sendo que elas não têm nenhuma preparação psicológica e nem financeira para poder dar um bom futuro a essas crianças.


A gravidez na adolescência é atualmente um dos mais significantes problemas sociais em todo o mundo. No Brasil, dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) mostram que a maioria das mães solteiras é do interior do Nordeste e tem entre 10 e 14 anos. Esses mesmos dados indicam que 25% das meninas entre 15 e 17 anos que deixam a escola o fazem por causa da gravidez, que assim vem se tornando a maior causa de evasão escolar. A gravidez precoce e suas complicações são a principal causa de mortalidade entre adolescentes do sexo feminino de 15 a 19 anos.


Para a médica obstetra, Rita Oliveira, este caso, "bem como toda gravidez na adolescência é considerada de alto risco. A mãe é muito nova, o que não impede que o parto aconteça. Neste caso, será mais difícil um parto normal. Mas, as condições físicas da menina é que vão indicar os verdadeiros riscos desta gestação que, sem dúvida, deve ter acompanhamento médico e psicológico", disse.


Com as deficiências da saúde pública, Rosa - que agora faz parte das estatísticas das crianças que geram crianças, entra na fila em busca de solução, à sombra do apelo da tia e de Inês, que disse representar um caso cotidiano mas "que não deveria ser assim. Elas e tantas outras têm direitos. Estou preocupada com o ser humano e esta menina precisa de ajuda", pontuou.


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