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terça-feira, 18 de setembro de 2012



Dois botos, duas torcidas no Sairódromo e um festival que divide Alter do Chão, vila localizada a 30km de Santarém. Assim é o Sairé, que movimentou a região Oeste do Pará no último final de semana e acabouconsagrando o Boto Cor de Rosa como grande vencedor, quebrando a hegemonia de três vitórias seguidas do Tucuxi. Mas ao final quem ganha é a cidade, que tem o turismo movimentado, a economia aquecida ao reunir mais de 200 mil pessoas em torno do evento e a certeza de que é possível realizar um grande festival de maneira organizada e com amplo apelo turístico coexistindo com a tradição religiosa popular.

O primeiro boto a se apresentar na noite de sábado foi o Tucuxi, com 700 brincantes defendendo o tema ‘O imaginário Tapajó’. Um dos pontos altos foi a alusão a flechas com o veneno de aranhas para matar o inimigo, simbolizadas em uma coreografia que deixou o público sem fôlego e culminou com a entrada do pajé em uma das alegorias mais comentadas da noite.
Já o Cor de Rosa trouxe o tema ‘A vida e a fé do povo Borari’, com 800 brincantes. A vitória surpreendeu não só porque o Tucuxi veio mais preparado para buscar mais um troféu, apostando em alegorias mais vistosas, coreografias com melhor execução e torcida mais ensaiada, mas principalmente porque todos esses itens deixaram visivelmente a apresentação do Cor de Rosa com um ar de que a vitória do concorrente já estava certa.
Porém, a simplicidade vigorou e o Cor de Rosa foi mais eficiente na hora de cumprir os 15 quesitos analisados por cinco jurados, todos relacionados ao folclore da região (como o boto-homem, boto-animal, cabocla, rainha do lago verde, rainha do artesanato, pajé, cantador, apresentador, ritual, letra das canções, sedução do boto, alegorias, carimbó e torcida), e que suplantaram até uma falha técnica no som que deixou a arena vazia por minutos que pareceram eternidade, mas não prejudicaram o conjunto.
Um dos momentos emocionantes da apresentação do Boto Cor de Rosa foi a referência à parte religiosa da festa do Sairé, levando ao Sairódromo todos os símbolos tradicionais da festividade, entre eles uma homenagem a Nossa Senhora da Saúde. Os cenários fixos simulando uma aldeia indígena foram outro destaque, com alegorias supercriativas como um grande vaso tapajônico trazendo a Rainha do Artesanato (um dos itens obrigatórios entre os personagens do Sairé) e o barco dos imigrantes portugueses. 
Ao final, a agremiação levantou o público com uma coreografia reunindo adultos e crianças representando o boto e as rainhas do Sairé, mostrando que, no que depender deles, a manutenção da tradição está garantida.

RELIGIÃO E CULTURA POPULAR
Esta é a oitava vitória do Cor de Rosa, contra quatro do Tucuxi. A disputa é apenas um dos itens de uma extensa programação que começou na última quinta-feira, 13, com folias e ladainhas religiosas todas as noites, passeios ecológico-fluviais e shows musicais com artistas locais e nacionais, em especial Latino e a banda Terra Samba.
Além do resultado do Festival dos Botos, ontem foi dia de encerrar a festa religiosa que remonta a rituais jesuítas de mais de 300 anos e é, de fato, a base original do Sairé. O ponto alto do encerramento é a Derrubada dos Mastros do Juiz e da Juíza, quando todas as frutas, em oferenda, penduradas nos mastros são disputadas pela população, para atrair boa sorte e fartura à mesa o ano todo.


Diário do Pará
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